Prefacio
Esta obra e composta de ritos, orações e consagrações. DEVE SER
LIDA PELOS ADORADORES DE SATÃ E É VEDADO QUE ALGUM PROFANO DELA LANCE MÃO OU
MESMO VENHA A LER O TEXTO DESTE LIVRO NEGRO. Que as Hostes infernais persigam
incessantemente aquele se Dispuser a conhecer o seus dizeres sem pertencer de
corpo e alma Satã ou sem ter feito pacto com a suprema inteligência do
universo!
Ethan!
O LEGADO DO 666
O Legado do 666 Todos já ouviram falar da Besta 666, o
Anticristo, Lúcifer, o Demônio, e todo o mal vinculado a estas figuras. O que
poucos pessoas sabem é que um homem se intitulou "A Besta 666". A primeira idéia
que pode nos vir à mente é tratar-se de um louco, um facínora, um celerado da
pior espécie. Só que este homem se diz o maior amigo da humanidade, herdou uma
imensa fortuna gasta em editar livros que divulgavam sua filosofia libertária,
Thelema (que ele dizia vir diretamente dos dirigentes invisíveis da Terra, a
Grande Fraternidade Branca), enquanto outra parte foi gasta na criação de um
centro de estudos de Magia, na ensolarada Sicília. O nome deste homem era Edward
Alexander Crowley ou Aleister Crowley, como ficou mundialmente conhecido,
nascido na Inglaterra, no seio de uma família de abastados cervejeiros. Teve uma
educação esmerada em Cambridge e pretendia seguir a carreira diplomática por
influência de seu tio. Todos os elementos para uma vida prosaica, tranqüila e
feliz se faziam presentes. Mas Crowley, ou talvez a deusa Destino, sonhou algo
totalmente diferente. Seus interesses dirigiram-se para o alpinismo e xadrez,
mas acima de tudo para a Magia, que se tornou o grande objetivo de sua vida.
Aleister Crowley se dedicou de corpo e alma em desvendar os seus mistérios e
segredos, indo a fundo na sua busca, não se limitando por nada, derrubando todas
as barreiras, experimentando todas as facetas da alma humana, de todas as
formas. Crowley vivia na Inglaterra Vitoriana, repleta de hipocrisias e falso
moralismo (não muito diferente do mundo de hoje em dia), e era natural que todo
o empenho, força e dedicação de Crowley a sua meta acabaria por chocar-se com a
sociedade da época. Ele foi taxado de pornográfico, depravado, drogado,
satanista e mais uma infinidade de rótulos. E, o mais fantástico de tudo, estes
rótulos ilustravam inúmeras atividades que de fato Crowley estava envolvido.
Poderíamos encerrar o caso aqui, juntando nos as legiões que detratam a sua
memória, mas antes disto cabe abrir um parêntese e falar sobre o que levou este
homem a assumir este papel no mundo. O ano de 1904 foi capital para Crowley, o
mistério que iria persegui-lo por toda a vida estava por se revelar, como dádiva
e maldição. Ele já era um Magista competente, iniciado na Aurora Dourada, uma
das mais importantes Ordens mágicas de todos os tempos. Nesta época, Crowley
estava viajando o mundo. Em março e abril ele estava no Cairo, Egito, em
companhia de sua esposa, Rose Kelly. O casal se entregava às alegrias da viagem
de núpcias, mas nem por isso Crowley deixava de ser um Mago. Ele faz uma
invocação de elementais do ar para sua jovem esposa, e qual não foi a sua
surpresa, ao invés dos silfos a mulher começa a balbuciar: Hórus falava através
dela. O deus prescreve então uma série de detalhes para um ritual de invocação,
o resultado deste Ritual se da nos dias 8, 9 e 10 de abril, nos quais Crowley
recebe o Livro da Lei, um poderoso Grimório de instruções mágicas, a Lei da era
de Aquário. Crowley se choca com o conteúdo do Livro, mas a força das revelações
lá contidas, influenciando eventos históricos de magnitude gigantesca (Primeira
e Segunda guerras mundiais, por exemplo), deixou fora de dúvida a veracidade,
beleza e poder do Livro da Lei. Ditado por uma entidade de nome Aiwaz (que mais
tarde Crowley associou a seu Eu superior). Nele, a Lei da nova era é sintetizada
na frase Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei, e tem como contraponto e
complemento Amor é a lei, amor sob Vontade. Facilmente poderíamos imaginar um
paraíso da libertinagem, mas a vasta obra de Crowley nos mostra que liberdade
sim, mas com conhecimento, em suas próprias palavras: O tolo bebe, e se
embebeda: o covarde não bebe. O homem sábio, bravo e livre, bebe, e dá glórias
ao Mais Alto Deus. Sua filosofia mágica é sempre pautada pelo autoconhecimento,
e fica claro que para nos tornarmos senhores de algo precisamos conhecê-lo,
vivenciá-lo. O ser humano como divino é outro postulado Thelêmico, Todo homem e
toda Mulher é uma estrela, ou seja, tem sua órbita e papel no universo e deve
ser respeitado pelo simples ato de existir, mas não entendamos este respeito
como piedade, mas sim como um ecossistema, onde cada parte cumpre a sua função.
Crowley, ao se colocar como a Besta do Apocalipse, está trazendo novamente a era
dos homens deuses, onde a alegria a força se contrapõe à dor e fraqueza, Não
seguimos ou adoramos um deus sofredor e morto numa cruz mais sim um homem deus
que venceu a morte. O 666 é associado a Lúcifer e este, por sua vez, a Prometeu,
que roubou o fogo dos deuses para que os seres humanos pudessem se tornar
deuses. Uma das definições de Crowley sobre o mal é esta: Primeiramente, por Mal
queremos significar o que está em oposição com nossas próprias vontades; é então
um termo relativo, e não absoluto. Pois tudo o que é o grande mal de um é o
maior bem de outrem, assim como a dureza da madeira, que estafa o lenhador, é a
segurança daquele que se aventura no mar num barco construído com aquela
madeira. To Mega Therion (A Grande Besta, nome mágico de Crowley) via a raça
humana no começo desta era de Aquário como uma criança, então nada melhor que as
suas palavras sobre como educar uma criança: "Cada criança deve desenvolver sua
própria individualidade, e Vontade, a despeito de ideais estranhos a si". "Ela é
confrontada com tais desafios como natação, escalada, trabalhos domésticos, e
deixada livre para resolver de sua própria forma". "Seu subconsciente é
impressionado pela leitura de obras-primas, as quais se permite que se infiltrem
em sua mente automaticamente sem pressão seletiva nem pedidos de compreensão
consciente". "Nada é ensinado a não ser pensar por si mesma". "Ela é tratada
como um ser responsável e independente, encorajada na autoconfiança, e
respeitada pela auto-afirmação". Crowley criou uma série de potentes Rituais
para se autoconhecer e travar contato com inúmeras entidades, Deuses, Anjos e
Demônios, sem falar em uma gama de símbolos de Poder e palavras de passe.
Através destes Rituais, as pessoas entram em um novo universo (na verdade os
abismos e alturas de seu próprio ser). Um bom exemplo é um Ritual chamado a
Marca da Besta, uma alusão à marca recebida por Caim. Este ritual traz as
energias do Novo Aeon ao praticante, quebrando uma série de condicionamentos e
preenchendo-o com a energia dos quatro elementos encimados pelo Espírito. Um
portal é aberto, um portal para a vida. Os Rituais sexuais aprendidos na O. T.
O. (Ordem dos Templários Orientais) muito influenciaram Crowley, (sem esquecer
das contribuições de To Mega Therion a estes Rituais) e grande parte da Magia
Thelêmica usa o sexo direta ou indiretamente. O Safira Estrela é um deles, e
abaixo transcrevemos algumas de suas partes: (Que o Adepto se arme com seu
bastão Mágico e sua Rosa Mística). A referência aqui é clara: o Bastão é o falo,
a Rosa Mística a vagina. O sexo oral é uma das etapas, e a absorção dos
Sacramentos deve ser o ponto alto. O leitor poderá lembrar do "Tantra Negro" mas
não é o caso, e práticas como essas são usadas no Tantra do sul da Índia, para
onde os Dravidianos foram expulsos. O uso de práticas homossexuais também é
licito e para tal remetemos o leitor ao trabalho de Karl Gustav Jung, onde a
Anima (Animus) aparece em sonhos no sexo oposto ao da pessoa e o self justamente
surge como uma representação do mesmo sexo. A palavra de poder do novo Aeon é
ABRAHADABRA. A palavra ABRAHADABRA soma 418, temos assim a letra hebraica Cheth,
valor 8, Yod, valor 10 e Tau, 400, eles são as chaves para Grande Obra. Yod
sendo o Bastão (falo) e Cheth (vagina) o Cálice, unidos em Tau. Ou ainda Yod, o
espermatozóide, e Cheth, o óvulo, unidos em Tau. A Cruz também pode ser um
símbolo do Lingam e da Yoni unidos. Basta imaginar a haste Horizontal, a Yoni e
a vertical, o Lingam. É importante salientar mais uma vez que o Safira Estrela
pode ser feito de forma simbólica e os resultados são também muito bons. Deve
avançar a Leste, fazer o Hexagrama Sagrado, e dizer: PATER ET MATER UNUS DEUS
ARARITA*. (quer dizer: "Pai e Mãe um deus Ararita"). A união sexual como uma
forma de união ao divino, dois que se tornam um. Que ele retorne ao centro, o
centro de tudo (Fazendo o símbolo da ROSA CRUZ como ele deve saber) dizendo:
ARARITA ARARITA ARARITA. A Rosa Cruz é uma alusão direta a união falo-vagina.
Que ele diga: OMNIA IN DUOS ("tudo em dois"): DUO IN UNUM ("dois em um"): UNUM
IN NIHIL ("um em nada"): HAEC NEC QUATOR NEC OMNIA NEC DUC NEC UNUS NEC NIHIL
SUNT ("não há quatro ou tudo ou dois nem um nem nada"). O sexo como elemento e
pórtico para a transcendência. Então que repita os sinais de L.V.X., mas não os
de N.O.X.: pela epifania que ocorreu como resultado dos sinais da Rosa Cruz. Ou
seja, o orgasmo magicamente dirigido. Este ensaio é pequeno demais para abranger
o meio século de Crowley dedicado à magia, mas espero ter esclarecido um pouco
sobre a sua vida e obra. * Nota: Esta Palavra consiste das iniciais de uma
sentença que quer dizer "Um é seu início. Uma é sua individualidade: Sua
Permutação é Uma".
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